Arquivo mensal: January 2014

Do Terno ao Kimono

Vó Luiza, 88 anos – ” Quando começamos a realizar nossas primeiras viagens, no ano de 1970, haviam pouquíssimas opções de companhias aéreas disponíveis no Brasil. A VARIG foi a primeira, mas operava apenas em rotas para América Latina e América do Norte. Para a Ásia, a única opção era a JAL, até então desconhecida. A companhia foi a primeira no Japão e nesse ano começou a realizar voos na rota São Paulo – Tóquio. Seu serviço era diferenciado, se destacava das demais. Diferente das refeições corriqueiras em aviões, a Japan Airlines oferecia comida típica japonesa aos passageiros. No nosso primeiro jantar, servido em porcelana japonesa e talheres de prata, comi peixe cru pela primeira vez. Antes de embarcar, as comissárias entregavam aos passageiros guias turísticos sobre todas as cidades que eram toda da companhia. De fato, viajar era algo mais glamuroso na minha época, tempos de ouro da aviação brasileira. Nos preparávamos com muita antecedência para a ocasião. No aeroporto, os homens utilizavam terno e gravata e as mulheres um modelo elegante, semelhante ao que usávamos em confraternizações.

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Meu sonho era conhecer o Japão. Me lembro que foi o primeiro país a ter trem bala em sua malha ferroviária. Após oito anos de funcionamento, tivemos a oportunidade de andar pela primeira vez.  O trem nos levou à Osaka, sede da Expo`70 e o passeio foi memorável! Depois de alguns dias, nosso destino era a cidade de Kobe. Seu movimentado porto, recebia navios vindos de todo o mundo e foi esse o meio de transporte que escolhemos. O trajeto, tinha como pano de fundo o monte Fuji. Ficamos muito eufóricos em avistar um cartão postal, a montanha mais alta e famosa do Japao. Quando chegamos a cidade, nos hospedamos em um hotel afastado do centro. O local preparou uma recepção muito típica para nossa chegada, oferecendo jantar e apresentações locais. Ainda me lembro quando uma funcionária do hotel entrou em nosso quarto para nos vestir com Kimonos.

 Bangkok também estava no nosso roteiro. Muito diferente das cidades japonesas, suas ruas eram estreitas e pequenas. O que me chamou a atenção, foram as casas de palafitas em torno do mercado flutuante. Devido a essa forma de se habitar, o rio era extremamente sujo e escuro. No entanto, os templos eram estrondosos. Sua fachada era toda revestida com micro pedaços de vidro, formando um mosaico. Em seu interior, o buda era referencia de riqueza”.

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PS. Bon Voyage!

Restaurantes em Vancouver

    A culinária de um país é definida por suas influências culturais. O hábito alimentar traduz a identidade do local e é baseado em costumes dos seus antepassados. O Canadá, segundo maior país do mundo, em extensão territorial, possui referências dos seus ancestrais indígenas, além de seus colonizadores franceses e britânicos. As influências gastronômicas dos povos chineses, judaicos e italianos também contribuem para sua cultura alimentar. Essa infinidade de estilos faz de Vancouver um dos melhores destinos gastronômicos mundiais. Alguns dos Chefs mais reconhecidos possuem restaurantes na cidade, um deles é o aclamado Jean Georges. No segundo andar do Shangri-Lá Hotel, está o Market. O restaurante é vencedor na categoria Dinner´s Choice Winner do Tripadvisor e se mantém no topo desde então. O bar da entrada é uma ótima opção para drinks e aperitivos, mas a habilidade do chef é comprovada na seleção de pratos principais. Algumas criações simples são transformadas em uma verdadeira explosão de sabores. O filé de salmão real com purê de batata foi a minha escolha, o que parecia ser um prato comum, transformou-se em algo extraordinário, pois é finalizado com trufas negras, ingrediente de origem francesa. Seguindo a linha de chefs celebridades,Hidekazu Tojo lidera a categoria. O que o diferencia é a experiência do chef no bar de sushi e o fato de ser um dos pioneiros no uso de frutos do mar na comida japonesa. O Tojo´s atrai conhecedores de todas as regioes e  a experiência vale cada centavo.

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    Agora, se você é fã de comida italiana não deixe de conhecer o Cin Cin, certamente será uma noite memorável. O restaurante fica na badalada rua de compras Robson St. e possui um menu variado, complementado por uma reconhecida carta de vinhos. Para a entrada, não deixe de pedir as pizzas assadas no forno à lenha. O clima aconchegante e intimista traduz muito bem o modo de servir dos canadenses.

    É no bairro de Gastown que se concentram ótimas opções de almoço e jantar. O Flying Pig é um dos melhores endereços no local. Se engana quem pensa que haverá muitas opções de pratos feitos com carne de porco. O nome irreverente do restaurante possui uma história curiosa. O proprietário do lugar, quando novo, trabalhou para uma detestável chefe de cozinha. O destrato com ele era tanto, que após alguns anos, resolveu sair e abrir o seu próprio restaurante. Otimista, quando foi embora, anunciou à patroa que o restaurante dele seria muito melhor, e sabe o que ela respondeu? “Nem se porcos voarem”. Eis que surge o criativo nome. Inovação define muito bem o local, os alimentos são preparados com uma mistura de produtos orgânicos e especiarias. Outra opção no bairro é o clássico The Old spaguetti Factory. Seu preço é acessível (comparado às outras opções). Porém, em face do custo-benefício, as filas são muito comuns. O ponto alto fica para decoração do local, predomina o estilo vintage condizente com a identidade do bairro.

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Acredito que conhecer restaurantes é uma excelente forma de absorver a cultura local. A gastronomia canadense foi algo surpreendente, uma mistura de bom atendimento e excelente produtos para elaboração dos pratos. E você, viajante, conhece algum desses restaurantes? Conte sua experiência!

PS. Bon Voyage!

Vancouver – Hollywood do Norte

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Um passeio turístico que pode ser facilmente encontrado em algumas cidades é o movie tour locations. O tour é realizado em locais emblemáticos que deram vida a cenas de filmes, seriados ou séries de TV. Particularmente, adoro conhecer as locações de gravação e as curiosas histórias dos bastidores. Acredito que isso traduz, de certo modo, a essência da cidade e traz à tona diversos lugares para conhecimento da região. Quando iniciei a pesquisa de passeios para a minha última viagem, fiquei impressionada com a “fama” de Vancouver. Produtores californianos apelidaram a cidade como Hollywood do Norte, pois, em 2000, mais de 200 filmes e programas de TV foram produzidos lá. Com isso, tornou-se o terceiro maior centro da indústria cinematográfica da América do Norte, atrás de Los Angeles e Nova York. Alguns fatores explicam o favoritismo: redução de custos de produção e um clima favorável durante todo o ano.

Para as gravações em estúdio, a cidade possui o Vancouver Film Studios, o maior do Canadá e o segundo maior da América do Norte. O complexo não é aberto ao público e a única opção para avistá-lo é através do metrô (skytrain), entre as estações Rupert e Gilmore.No entanto, as gravações de cenas externas, são realizadas em diversos pontos conhecidos de Vancouver. O Stanley Park, maior parque da cidade, foi palco de gravações da saga “Crepúsculo – lua nova”e “X-Men”. A conhecida Universidade of British Columbia foi cenário de três grandes produções do cinema: “Efeito Borboleta”, “O Dia que a Terra parou” e “Wolverine”.

Recentemente, publicou-se, em diversos canais, que a adaptação do livro “50 tons de cinza” será gravada parcialmente em Vancouver. O famoso encontro dos personagens principais na cafeteria foi rodado no bairro de Gastown, no restaurante Water St. O local também já foi utilizado para a filmagem do aclamado filme de terror dos anos 80 “A troca”, e teve o Flatiron Building como cenário. Montagem - Hollywood do norte

E a lista de pontos de gravações em Vancouver é extensa, pode incluir uma passada no Hotel Fairmont, um dos mais tradicionais da cidade, pois foi locação do filme Missão Impossível. Para quem se interessa por galerias de arte, a de Vancouver foi cenário de filmes como X-Men.

Gosta de cinema? Então não deixe de incluir em seu roteiro um passeio aos pontos de filmagem em Vancouver. Realize seu próprio movie tour e, sem dúvida, será uma experiência cinematográfica.

PS. Bon Voyage!

Canadá Multicultural

Canada Multicultural

O meu primeiro destino ao Canada foi a capital Toronto. O roteiro incluía alguns dias em Nova Iorque e, em seguida, uma viagem de trem realizada pela empresa Amtrak. O percurso é composto por muitas cidades interioranas, estações locais e um belíssimo trecho do Niagara River. Após oito horas, a recepção fica por conta do patrimônio nacional – a estação Union Station . Lá encontrei uma metróple, a maior cidade do pais, que não pode ser caracterizada por um povo, pois ate o momento, é a cidade mais multicultural que conheço – 49% da população é estrangeira. Por isso, minha primeira dica é explorar as diversas comunidades que estão presentes na cidade: ChinatownLittle ItalyGreektown e degustar suas especiarias. Ao alto da CN Tower, segunda maior torre do mundo,  são vistos muitos arranha-céus que compõem sua área financeira. Diversas sedes de empresas se concentram lá e fazem da cidade uma das maiores economias do mundo. Se do alto a vista impressiona, no plano, a melhor forma de explorar a capital é de bicicleta. A empresa Toronto Bicycle Tours oferece passeios diários para grupos de até vinte pessoas. Uma ótima opção para incluir no seu primeiro dia e visitar os melhors pontos de Downtown. O passeio termina no mercadão público St Lawrence Market que representa mais uma vertente da cidade multicultural.

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Seis anos depois, meu destino era outro, mais precisamente a costa oeste e, para minha surpresa, totalmente diferente da imagem que eu criei sobre o Canada. Vancouver é moderna, organizada, ultra arborizada, com muitos canadenses e alguns orientais, que migram em grande parte da China. O Stanley Park é o pulmão da cidade e oferece a melhor vista da baía. Para observá-la, vá ao ProspectPoint localizado dentro do parque, ótimo para tirar boas fotos da ponte Lions Gate.  Como toda cidade grande, seus distritos possuem uma identidade marcante e muito história. O bairro de Gastown, estrategicamente posicionado próximo ao centro, é destino certo não só de turistas como de admiradores. Lá voce encontrará prédios com arquitetura européia, um relógio Steam Clock que lembra muito o famoso Big Ben e o Flatiron Building, presente em diversas capitais do mundo. Subindo sentido oposto ao Pacífico, esta a famosa rua de compras Robsob St. e o shopping subterrâneo Pacific Center.

Situada no False Creek, a Granville Island é um lugar pitoresco. Antigo distrito industrial e hoje um pólo turístico, é composto por uma marina, casas flutuantes, lojas de artesanato e um centro gastronômico – Public Market.  Ao norte de Vancouver, localizam-se as montanhas mais proximas do centro: Mount SeymourCypress Moutain e Grouse Mountain. A última é mais popular, devido ao passeio de bondinho, que oferece uma vista aérea espetacular de toda cidade. Também, naquela região, esta uma das atrações mais visitadas de Vancouver – Ponte Suspensa de Capilano, esta situada em um cânion, a 70 metros de altura do rio Capilano. No mesmo parque, encontra-se a maior coleção particular de totens da América do Norte. Vale a aventura para conhecer um pouco mais sobre a história da civilização canadense e seus antepassados aborígenes.

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No próximo post, comento uma curiosidade sobre a cidade de Vancouver. E você, viajante, concorda com a diferença entre as cidade? Compartilhe o que mais gostou e dicas sobre os lugares.

PS. Bon Voyage!

Ano Novo 2013 – Praia e Neve!

Todo final de ano, costumo viajar com a minha família. Criamos esse hábito há algum tempo, por motivo óbvio – o único período em que todos conseguem tirar uma “folguinha” do trabalho. A organização começa em meados de Agosto e, para isso, é feito um almoço de domingo que eu, a “agente de viagens da família”, proponho algumas opções de destino. Para o ano de 2013, havia uma viagem que eu gostaria muito de fazer, porém não sabia como seria a reação deles. A minha ideia era mesclar praia e neve no mesmo roteiro – Canadá & Hawaii. Sei que não soa convencional, muito menos é um pacote proposto por grandes agências de viagem, mas, para minha surpresa, minha família topou na hora. O próximo dilema seria como organizar: Por qual cidade chegar? Em que local passar o Ano Novo? Começar pelo calor ou neve? Decidimos que a passagem do ano novo seria no Hawaii, pelo fato de ser mais quente. Por sorte, encontrei uma promoção da Air Canada com chegada a Seattle e retorno por Vancouver. Perfeito, chegaríamos a Seattle e, depois de dois dias, marquei nosso voo para o Hawaii.

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No total, foram 13 dias viajados. A divisão para cada cidade ficou da seguinte forma: Seattle, 2 dias; Hawaii, 5 dias; Vancouver, 3 dias e Whistler, 3 dias. Meu roteiro começa pela reserva de hotéis. Costumo fazer pelo Booking ,pois sempre encontro promoções e, há uma grande variedade de hotéis. Vale ficar alerta nas condições de reserva impostas pelo site: em semanas que a procura é muito grande, precisa fazer o pagamento antecipado. Costumo reservar os restaurantes pelo opentable. O site atua em toda a América do Norte e possui locais consagrados em seu portfólio. Para o ato da reserva, precisa incluir um email e telefone. Uma dica: Faça o cancelamento da reserva caso tenha um imprevisto. O site bloqueia automaticamente o email cadastrado para aqueles que perderem, até cinco vezes, a reserva. Nessa viagem, todos os carros foram alugados pela locadora Avis. Faço o comparativo das locadores pelo Kayak e sempre encontro preços melhores. Além disso, já deixei programado alguns passeios que não gostaria de perder. No Hawaii, programei para ir ao tradicional luau havaiano no The Royal Hawaiian. Em Vancouver, reservei dois passeios: Grouse Mountain  + Capilano Suspension . E para finalizar, em Whistler, reservei o Blackcomb snowmobile – Wilderness tour.

Acho válido reservar, com antecedência, alguns passeios devido à disponibilidade. Para mim, não há nada mais prazeroso do que pesquisar sobre a viagem que se vai fazer. Nos próximos dias, teremos diversos posts sobre tudo que conheci nessa viagem!

PS. Bon Voyage!