Do Terno ao Kimono

Vó Luiza, 88 anos – ” Quando começamos a realizar nossas primeiras viagens, no ano de 1970, haviam pouquíssimas opções de companhias aéreas disponíveis no Brasil. A VARIG foi a primeira, mas operava apenas em rotas para América Latina e América do Norte. Para a Ásia, a única opção era a JAL, até então desconhecida. A companhia foi a primeira no Japão e nesse ano começou a realizar voos na rota São Paulo – Tóquio. Seu serviço era diferenciado, se destacava das demais. Diferente das refeições corriqueiras em aviões, a Japan Airlines oferecia comida típica japonesa aos passageiros. No nosso primeiro jantar, servido em porcelana japonesa e talheres de prata, comi peixe cru pela primeira vez. Antes de embarcar, as comissárias entregavam aos passageiros guias turísticos sobre todas as cidades que eram toda da companhia. De fato, viajar era algo mais glamuroso na minha época, tempos de ouro da aviação brasileira. Nos preparávamos com muita antecedência para a ocasião. No aeroporto, os homens utilizavam terno e gravata e as mulheres um modelo elegante, semelhante ao que usávamos em confraternizações.

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Meu sonho era conhecer o Japão. Me lembro que foi o primeiro país a ter trem bala em sua malha ferroviária. Após oito anos de funcionamento, tivemos a oportunidade de andar pela primeira vez.  O trem nos levou à Osaka, sede da Expo`70 e o passeio foi memorável! Depois de alguns dias, nosso destino era a cidade de Kobe. Seu movimentado porto, recebia navios vindos de todo o mundo e foi esse o meio de transporte que escolhemos. O trajeto, tinha como pano de fundo o monte Fuji. Ficamos muito eufóricos em avistar um cartão postal, a montanha mais alta e famosa do Japao. Quando chegamos a cidade, nos hospedamos em um hotel afastado do centro. O local preparou uma recepção muito típica para nossa chegada, oferecendo jantar e apresentações locais. Ainda me lembro quando uma funcionária do hotel entrou em nosso quarto para nos vestir com Kimonos.

 Bangkok também estava no nosso roteiro. Muito diferente das cidades japonesas, suas ruas eram estreitas e pequenas. O que me chamou a atenção, foram as casas de palafitas em torno do mercado flutuante. Devido a essa forma de se habitar, o rio era extremamente sujo e escuro. No entanto, os templos eram estrondosos. Sua fachada era toda revestida com micro pedaços de vidro, formando um mosaico. Em seu interior, o buda era referencia de riqueza”.

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PS. Bon Voyage!

3 comentários

  1. Anne em Responder

    Encantada com esses relatos da sua avó, realmente nos faz voltar no tempo!!! Parabéns.

    1. Priscila em Responder

      Obrigada Anne! Fico mto feliz que gostou. Preciso fazer novos posts!!

  2. oi priscila,
    o seu blog é maravilhoso, adoro ler os seus relatos de viagens (inspirador define!), mas esta coluna da vovó é encantadora, como sempre acesso no celular, nao tinha ainda a visto (nao sei pq) e Agora acessando o site no computador, a vi. muito interessante =d
    bjos e parabéns!
    camilian

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