Memórias de um figurino

Luiza, 88 anos – “Nos anos 70, o cinema americano já era referência em todo o mundo. Seus filmes tomavam as telas de todo o país e eram sinônimo de glamour e sofisticação. Ir ao cinema era uma das minhas programações preferidas. Meu marido e eu íamos toda a semana assistir as novidades que entravam em cartaz. Um dos primeiros filmes que vimos foi Ben Hur. Saímos exaustos depois de quase quatro horas de filme, mas para nós era diversão. Não existia filme passado na TV como hoje. As primeiras televisões chegaram ao Brasil em 1950, ano da Copa. Lembro que éramos os únicos no bairro que assistíamos os jogos de futebol transmitidos em preto e branco, uma grande festa com a família e vizinhos.

 Foi nessa década que fui para Los Angeles pela primeira vez. A cidade era austera, muito bonita e com pessoas elegantes e bem vestidas. Passamos alguns dias no local e me sentia em um cenário de filme. Uma das nossas programações, organizada pela agência, era o tour nos estúdios da Metro Goldwyn Mayer. A empresa era um sucesso na época, seus filmes eram sinônimo de qualidade, com elencos estrelados e grandes orçamentos. Anos depois, tornou-se a gigante da comunicação: MGM. O passeio durou o dia inteiro e tudo foi feito de trenzinho. Conhecemos diversos estúdios de gravações, carros antigos (usados em cena) e camarins. Lembro-me perfeitamente quando entrei em uma casinha utilizada como camarim de Lana Turner, uma das atrizes mais famosas em minha época. Pude tocar em todos os figurinos usados no longa “Imitação da vida” e fiquei encantada. Já tinha visto o filme nos cinemas e conhecer os bastidores foi algo memorável.

 Gostava muito de explorar a cidade caminhando. Muitas vezes, quando me interessava por algo no caminho, parava para conhecer. Foi isso que aconteceu quando avistei uma igreja enorme e linda em frente ao Echo Park. Parei para assistir o culto e fiquei emocionada com a quantidade de fiéis. Algum tempo depois, fiquei sabendo que a Angelus Temple foi a primeira igreja protestante de Los Angeles. Isso acontecia com frequência, a forma de turismo evoluiu muito com o passar dos anos, não havia comunicação como hoje. Quarenta anos depois, voltei para Los Angeles com a minha neta (Eu, no caso) e conheci uma nova cidade. O que mais me chamou à atenção foram as pessoas na rua, tudo tinha ficado diferente. O cenário havia mudado, saíram de cena os elegantes chapéus e entraram os cabelos coloridos e bonés. O mesmo aconteceu com os terninhos, foram substituídos por roupas rasgadas e curtas. Que saudades do figurino da atriz Lana Turner”.

Los Angeles montagem

PS. Bon Voyage!

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