Berlim – Antes da queda

Coluna da vovo_Berlim 3    Luiza, 88 anos – ” No outono de 1973 fui para Alemanha pela primeira vez. O destino parecia um pouco inapropriado, devido as frequentes notícias que propagavam na rádio. A segunda guerra já havia terminado, no entanto resquícios da guerra fria emolduravam a cidade. Desde de 1961, a capital alemã possuía uma muralha separatista – o muro de Berlim. No entanto, meu marido argumentou que muitos países passavam por momentos com a situação instável e isso não era um obstáculo ao turista. Ele já conhecia Frankfurt e não via a hora de voltar a Alemanha.

    O nosso roteiro passava por algumas cidades da Europa, entre elas: Londres, Paris, Amsterdã, Suíça e, por fim, Berlim. A nossa viagem foi programada para ser realizada de carro e assim que chegamos em Londres alugamos o veículo que nos acompanharia durante todo o período. Minha neta questionou se era comum viajar de carro naquela época “respondi que não, mas seu avó era muito aventureiro”. Como não havíamos reservado hotel, não tinha uma quantidade exata de dias estipulada para ficar em cada cidade. Chegamos a Berlim, depois de uma longa viagem vindos da Suíça, Genebra. Algo que me chamou muito atenção, assim que cheguei em Berlim, foi como as alemãs eram elegantes, diferente do povo que já conhecia. Provável que essa soberania era um efeito da Alemanha Ocidental, capitalista. De um lado havia uma sociedade desenvolvida, que durante os anos de separação evoluiu progressivamente e, do outro lado, uma sociedade parada no tempo.

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    Um dos principais cartões postais de Berlim era o Portão de Brandemburgo. O local era palco de diversas rebeliões e figurava-se como um símbolo da divisão entre a Alemanha Ocidental e Oriental. O muro passava em frente ao portão e somente os militares, que faziam a patrulha, podiam se aproximar do local. Provido de muita cara de pau, meu marido perguntou aos soldados se seria possível espiar do outro lado do muro. Um ponto importante é que ele não falava absolutamente uma palavra em inglês, tampouco alemão e, para minha surpresa, havia criado um grupo com alguns estrangeiros, que estavam no local, para espionar o lado Oriental. A persuasão do grupo, liderada pelo meu marido, foi vitoriosa e o soldado aceitou nos levar a um lugar plano com melhor visibilidade. Havia escutado algumas estórias de turistas que foram conhecer o outro lado do muro e nunca mais voltaram, isso me amedrontava. Estava apegada a esta lenda urbana e o pedido do meu marido parecia algo absurdo. O soldado nos acompanhou durante uma longa caminhada que parecia uma floresta. Chegamos a um ponto que havia uma escada de madeira que nos permitia ter acesso ao outro lado. A avenida Unter Den Linden continuava após o muro e o que se via eram pessoas andando com uma rotina normal de trabalho e sociável, sem terror ou opressão. Falsa impressão de uma turista deslumbrada em uma de suas maiores aventuras. Berlim ficou marcado para sempre na minha memória.

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    E, ai viajantes, gostaram da historia da vo Luiza? Ela considera uma das maiores experiências de suas viagens.

PS. Bon voyage!

1 comentário

  1. Monica em Responder

    Já disse uma vez…muito bacana ver os relatos da sua avó! É história pura!

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