Arquivo mensal: November 2014

Um giro pela Suiça

_DSC2200   A Suiça é um daqueles destinos que agrega valor a qualquer roteiro de viagem. Digo isso porque o país oferece um pacote incrível de benefícios ao viajante: programação durante o verão e inverno, ótima rede hoteleira, bons restaurantes, paisagens de tirar o fôlego, entre outros. Além desses predicados, o local é um coringa no programação de uma viagem pela Europa. Seu território faz fronteira com importantes países: Itália, França e Alemanha e todas as regiões são facilmente conectadas de trem, afinal o país possui um título de peso: a maior linha ferroviária do continente velho.

    Tive a oportunidade de visitar a Suiça na minha ultima viagem (todos os detalhes aqui) e a minha base escolhida foi Lucerna. A opção não poderia ter sido melhor, a cidade é uma síntese de tudo que há no país: lagos, montanhas, pontos históricos e vistas deslumbrantes. A “old city” é o coração do vilarejo e reúne as principais atrações, dentre elas a Ponte da Capela – Kappelbrücke que foi construída no século XIV. A bela ponte conta com flores por toda a sua extensão e, no seu interior, existem várias pinturas do século XVII, ilustrando fatos históricos marcantes da Suíça. O local é marcado por inúmeros acontecimentos e uma ótima forma de explorar a compacta cidade é pelo  “City  train Tour” – um trem estilizado conduzido por um simpático senhor. Outra atração que vale muito a pena é o passeio de barco pelo lago Lucerna. Durante uma hora, um moderno catamarã caminha pela tranquilas águas do lago e faz um belo contraste entre a vegetação das encostas e as montanhas ao fundo. É um passeio de tirar o fôlego, como tudo na Suíça, e   passa por dois charmosos vilarejos {Vitznau e Weggis}.

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    Devido a sua privilegiada localização geográfica, Lucerna fica a poucos quilômetros de importantes cidades do lado alemão: Zurique {45min}, Berna {1hs}, Interlaken {2hs}, Lausanne {2hs}, Lugano {2h30min}, Zermatt {3hs} e St. Moritz {4hs}. A melhor forma de explorá-las é de trem e todos partem da principal estação de Lucerna: SBB Lucern Station. Alugar carro no país pode ser uma pequena dor de cabeça no roteiro, afinal o Swiss Pass {uma espécie de “bilhete único” que permite percorrer mais de 20 mil km em rotas de trem, ônibus e barcos, entrar gratuitamente em mais de 450 museus e oferece descontos nos passeios de teleféricos} oferece inúmeros benefícios. A bordo do ticket o viajante pode explorar um das diversas rotas cênicas, trajetos que cruzam todo o território e desvendam algumas das mais belas paisagens do país:

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  • Glacier Express {duração: 8horas}

A rota mais procurada, leva os viajantes de Zermatt à badalada St. Moritz (passando por Davos). Os vagões tem janelas panorâmicas e parte do teto envidraçado.

  • Golden Pass Line {duração: 5horas}

Rota que liga as cidades de Montreaux a Lucerna. O trajeto vai da “Riviera Suíça” ao coração do lado alemão.

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  • Wihelm Tell Express {duração: 5horas}

Essa rota liga as cidades de Lucerna a Lugano. O trajeto cruza os Alpes de norte ao Sul e combina o passeio com uma travessia de barco. Com Swiss Pass, o viajante paga 39 francos suíços no vagão panorâmico standard (com direito a almoço)

  • Palm Express {duração: 3h30min}

Outra rota que leva a Lugano (cidade encantadora no lado italiano) a partir de St.Moritz.

  • Pre Alpine Express {duração: 2h15min}

Essa rota conecta Lucerna a St. Gallen, região encantadora no lado norte do país.

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  • RegioExpress Lötschberger {duração: 2h15min}

Uma das rotas mais antigas, liga as cidades de Berna e Brig {lado alemão}

    A Suíça reúne um incontável número de atrações. Recomendo no mínimo cinco dias  no país, pois desta forma é possível montar um roteiro que permitirá conhecer um pouco das muitas suíças (italiana, francesa e alemã) incluindo Zurique (a maior cidade do país), Berna (a capital) e outros lugarejos inesquecíveis, que certamente vão deixar aquele gostinho de “preciso voltar”. No próximo post, comento sobre o meu roteiro e os lugares imperdíveis.

PS. Bon Voyage!

Sob o sol da Provence – Parte II

_DSC1635     Não é segredo para quem me acompanha no Instagram (segue lá @ps_bonvoyage) que fiquei apaixonada pela região da Provence. O local encanta pela identidade única, suas cidades históricas, diferentes cenários e, principalmente, pelo contraste com a primeira parada obrigatória na França – Paris. Digamos que uma viagem a Provence é o segundo volume da saga na França, com um belo prefácio e capítulos mais elaborados. Uma coisa é fato, não existe um roteiro programado para a região, o visitante molda conforme suas necessidades e interesses. Fiquei quatro dias na Provence e a minha base foi em Aix-En-Provence (todos os detalhes AQUI). Abaixo compartilho com vocês detalhes do meu roteiro!

Dia 1 – Luberon

    O Luberon é uma cadeia montanhosa na região da Provence. A poucos quilômetros de Aix-En-Provence (tem um post completo da cidade AQUI), o local concentra dezessete das cento e quarenta e uma povoações classificadas, a nível nacional, como “as mais belas aldeias da França”. O mais interessante é que a pequena área do Luberon elege quatro, tão próximas umas das outras que é facilmente explorada em um dia: Roussillon, Gordes, Lourmarin e Ménerbes.  

Captura de Tela 2014-11-18 às 08.11.31    O quarteto estrelado foi a minha escolha para o primeiro dia na Provence. O que mais encanta neste roteiro são as estradas vicinais que conectam as cidades. O percurso é margeado por campos de oliveiras, vinhedos, casas na cor ocre e lagos. Apenas 27km de Aix fica a primeira parada do dia: Loumarin. O pequeno vilarejo, com tamanho de um bairro, possui uma lista do que fazer bem compacta: caminhar pelas ruelas, descobrir fontes lindas e quase escondidas, prestar atenção nas fachadas de pedra, nas janelas coloridas e vasculhar as boulangeries. Além disso, os cafés, as lojas de roupa e decoração são uma ótima parada. Logo em frente, a segunda parada do roteiro: Roussillon. O destaque, além da própria cidade, é o passeio pelas antigas minas de ocre (2,50€). Foi o ocre que fez a fama do vilarejo e garante a sua singularidade até hoje. Outra atração é a praça do Hôtel de Ville, prédio facilmente identificado pelas bandeiras na fachada.

_DSC1655    A cereja do bolo desse roteiro é a próxima cidade: Gordes. O vilarejo no alto da colina parece que foi desenhado a mão e encanta pela simplicidade. A mistura da arquitetura medieval e renascentista do castelo que existe desde 1031 e a igreja de origem romana do século XII são as principais atrações. No entanto, subir e descer os tortuosos caminhos de pedra que nos apresentam os segredos de Gordes pode ser mais interessante. Para completar a experiência na cidade, recomendo um pausa para o almoço no “Les Bories” – restaurante impecável do hotel com o mesmo nome. Por fim, a ultima parada do roteiro é Ménerbes, cidade que serviu de inspiração para o livro – Um ano na Provence, do escritor inglês Peter Mayle.

_DSC1663    Vale lembrar: Durante os meses de Julho e Agosto, o Luberon triplica seu numero de visitantes por conta do circuito das lavandas. O mais conhecido se encontra nas proximidades da cidade de Sault,  situada aos pés do Monte Ventoux.

Dia 2 -Gorges du Verdon e Moustiers Saint Marie

_DSC1725    O segundo dia do roteiro começou logo cedo e confesso que foi um dos meus preferidos. A primeira parada é Moustiers Saint Marie, um vilarejo com 700 habitantes e uma natureza especial. Seu ambiente é típico de cidade do interior da França, com lojas de artesanato, pequenos restaurantes e uma igreja centenária. Além do Gorges du Verdon, outra atração na cidade é a trilha até a capela a capela Notre Dame de Beauvoir, no alto da colina. O esforço de subir os 262 degraus é recompensado pela vista mais bonita da cidade.

     Tudo ali é meio magico e para completar o cenário tem o La Bastide de Moustiers, considerado o melhor hotel e restaurante da região. O renomado chef francês Alain Ducasse, abriu o seu “albergue” em pleno “Parc Naturel do Verdon” e possui poucos quartos para aproveitar de um momento inesquecível na Provence. 

_DSC1767   Moustiers é a porta de entrada do canyon mais fascinante da Europa. Apenas 20km separam o pequeno vilarejo do Gorges du Verdon. Antes de explorar as atividades do lago Saint-Croix, recomendo um passeio até o pico da montanha. A estrada beira o penhasco e oferece uma vista deslumbrante de toda a região. Lembrando que esse trajeto pode ser encarado por uma trilha, fascinante para os aventureiros. 

    No próximo post, compartilho dicas de Avignon, Isle sur la Sorgue e St.-Rémy. As cidades merecem uma atenção especial e no trajeto tem Baux, parada obrigatória.

PS. Bon Voyage!