Safari na Africa – dicas para a sua viagem

   Quando comecei a planejar o meu roteiro da África, um dos pontos de maior ansiedade era o safari. Conhecer o cenário das savanas africanas sempre foi um desejo que cultivei desde minha infância e, por isso, pedia algo especial. Logo no início da pesquisa, me deparei com tantas possibilidades de roteiros e lugares variados que a ansiedade do começo virou uma grande dúvida. Abaixo compartilho com vocês todas as indecisões pré viagem e suas respectivas respostas ;)

_DSC4865 _DSC5161

  • Qual reserva natural devo visitar?

   Um dos conselhos que mais recebi quando inicie minha pesquisa do safári foi “comece por um lugar mais tradicional, com bastante infraestrutura”. De fato, isso faz todo sentido em uma primeira viagem ao continente africano, principalmente pelo custo x benefício, no entanto após a minha visita afirmo “procure um lugar que você mais se identifique“. Muitas reservas oferecem uma ótima estrutura ao viajante, como lodges de luxo e acampamentos, o que diferencia é a diversidade das paisagens e animais. As reservas são classificadas como: a África Oriental, ou seja, Quênia e Tanzânia é o clássico dos safaris. As savanas são mais abertas, há abundantes fenômenos migratórios e a natureza é exuberante. No entanto, o acesso é bem mais demorado e complexo, a logística mais complicada e as reservas privadas são mais caras que as demais. O Serengeti National Park é um parque muito famoso devido a migração de zebras e gnus, evento que acontece principalmente no mês de junho e atrai milhares de turistas todos os anos. Outro atrativo do parque é por ser considerado uma das maiores reservas selvagens da África, principalmente pela possibilidade de fazer um safári em Ngorongoro Crater, a região com maior concentração de grandes mamíferos predadores em toda África. Ter a chance de estar ali, uma área tão preservada e longe de qualquer tipo de civilização, é sem dúvida a chance mais real de ter contato com a natureza, com a vida selvagem. No entanto, a África do Sul se destaca pela opulência, com lodges mais luxuosos e atividades variadas. O destino também possui um fácil acesso, através do aeroporto de Joanesburgo partem voos diárias (tem mais detalhes do roteiro aqui). Botswana também é muito procurado devido ao delta do Okavango, que permite incríveis safáris em barcos a remo. As reservas são muito sofisticadas, caras e muito adequadas para extensões de roteiros na África do Sul, para quem procura complementar a experiência de safári. Também estão em Botswana as reservas de Chobe e parte do Kalahari. Outra vantagem é sua posição geográfica, fronteira com a Námbia e ao lado da Victoria Falls (um dos cartões postais da África).

_DSC4926 _DSC4948

  • Quanto tempo devo ficar na savana?

    Essa dúvida me acompanhou durante todo o planejamento da viagem. Depois de ficar três noites em Zanzibar (todos os detalhes aqui) definimos ficar o mesmo tempo na Savana. Após a minha experiência, considero demais por dois motivos: são dois “games” por dia, portanto quem passa três noites no lodge (hotel na selva) participa de seis “games”. Se considerar que é o mesmo território explorado, ou seja em uma reserva privada, o cenário começa a ficar muito parecido, por isso vale pensar em duas noites. Uma prática muito comum entre os viajantes é mudar de Lodge, para conhecer uma nova reserva privada. No nosso caso, ao lado do Lion Sands ficava o Londolozi (uma sugestão para o roteiro).

  • Qual a melhor época para fazer um safári?

    Na África do Sul, a melhor época para a observação é a estação da seca, no inverno (entre junho e agosto). Nessa época, o mato é baixo e as árvores não têm folhas, o que torna a observação mais fácil, pois a visão não fica obstruída pela vegetação. Além disso, há menos insetos. Neste período, praticamente não chove o que faz com que os animais se aglomerem nas nascentes dos rios pela manhã e no final da tarde. No inverno faz muito frio, principalmente pela manhã e à noite, quando as temperaturas podem chegar a 0ºC. No entanto, fui durante o verão (entre dezembro e fevereiro), e não pegamos temperaturas tão elevadas, média de (16º a 30º). Vale levar repelente, pois há mais mosquitos nessa época, mas em compensação é possível ver filhotes pequenos que nasceram na primavera. Em outros países esse período por ser diferente: na Tanzânia, a melhor época para visitar é entre os meses de Abril e Maio, pois como é período de migração, atrai milhares de animais. No Quênia, a época da seca, de Julho a Setembro, é a ideal para visitar a região. Nessa época, a vida se concentra ao redor de menos reservas de água pelo território e é mais fácil de ser detectada. As expedições ao Monte Quênia também são feitas nessa época. A grande migração de animais do Masai Mara (parque natural) para o Serengeti, na Tanzânia, acontece de Dezembro a Março. De Julho a Novembro, o sentido da migração é inverso, portanto esta época é perfeita para os safáris também. A estação de chuva é característica dos meses de março, abril e maio. 

_DSC4639 _DSC4716

  • Como foi a experiência no Kruger Park?

   Por questão de logística e cronograma enxuto (leia-se poucos dias), acabamos escolhendo o Kruger Park, na África do Sul. O maior parque natural do continente é uma ótimo primeiro contato com savana e, de fato, seu cenário corresponde a todas as expectativas. O Lion Sands River foi o nossa base durante os três dias de safári e o ponto de partida para todos os “games”. Sim, quem opta em ficar nos lodges de luxo segue uma programação já definida pelo hotel. Digamos que o cronograma segue o ritmo de  acampamentos de férias (mais uma vez a sessão nostálgica) e nos “tempos livres” é possível desfrutar das atividades extras. Os horários são determinados e a área explorada corresponde a reserva privada do lodge.

_DSC4811 _DSC4683    Os “games drives” como são chamados os safáris são conduzidos por dois profissionais: ranger (guia e especialista em animais) e tracker ( pessoa que fica na frente do carro identificando as pegadas e passos dos animais). A grupo que acompanha os games é sempre o mesmo e definido no momento da chegada pelos funcionários do hotel. São dois “games” por dia, com duração de três horas cada. O primeiro começa logo pela manhã, às 06hs e outro no fim do dia, as 16hs, antes de anoitecer. Nos horários livres o grupo faz as refeições na área externa, sempre servida pelo mesmo “butler”, e participa de algumas atividades extras. O interessante é que no ato da reserva, o hotel encaminha uma pesquisa aos hóspedes com todos os itens servidos e os possíveis alimentos alérgicos. Com isso, só comemos o que realmente gostamos!

_DSC4764
_DSC5107 _DSC5269    As atividades extras vão desde uma caminhada a nascente do rio Sabe para observar uma família de hipopótamos a um passeio e balão (conhecido com safári aéreo), tudo pago. No entanto, a proatividade dos funcionários do hotel para organizar esses passeios extras foi o principal ponto desfavorável da minha estadia. Flexibilidade não é a palavra de ordem da equipe e parecia que o viajante estava lá para cumprir com a programação, não sair “fora da caixa”. Certamente esse fator não pode generalizar para todos os lodges, foi algo especifico no Lion Sands!

E aí, viajantes, malas prontas para a África? Dá uma olhada nos outros posts com dicas sobre o destino: Post 1Post 2, Post 3 e Post 4.

PS. Bon Voyage!

Deixe um comentário