O que fazer em Marrakesh

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    Marrakesh é uma cidade que desperta muito a curiosidade dos viajantes. Seu cenário, que parece de um filme antigo, oferece traços da genuína cultura islâmica por todos os lados – sendo uma verdadeira viagem ao tempo. Os Souks, mercados das cidades árabes, são a alma do centro urbano. Situados dentro da Medina, parte antiga da cidade, os caminhos levam a uma verdadeira trilha do descobrimento. A cada passo surge um pátio, uma mesquita (única que permite a entrada de não muçulmanos) e restaurantes com cenários mágicos. Desvendamos o segredo da Medina em nosso primeiro dia de viagem e vou contar tudo para vocês:

    Assim que acordamos em nosso primeiro dia na cidade, fomos direto para o prédio principal do Riad desfrutar do café da manhã. Servido no último andar da “mansão marroquina“, a primeira refeição do dia já é uma prévia do banquete oferecido pelo povo árabe. No buffet, muitos iogurtes, frutas secas, queijos, chutney, pães típicos (o mais consumido no país é o batbout, um pão redondo e chato, semelhante ao que conhecemos como pão sírio, a msemmen, uma panqueca fina e retangular, e também a baghir, que é uma panqueca esponjosa, mais grossa, feita de sêmola), suco de laranja e o famoso chá de menta – tudo servido por um simpático atendente do Riad. Assim que terminamos, o relógio marcava 10hs e o termômetro já estava nos 38°C. Era hora de correr para o primeiro compromisso do dia e tentar ficar longe do sol o máximo possível. O plano era seguir para os Souks, mercado a aproximadamente 10 minutos a pé do nosso Riad, no entanto ao entregar a chave para o gerente do Riad (tem essas coisas por lá) ele nos deu a dica de contratar um guia para acompanhar o passeio. Santa ajuda! Realmente fez toda a diferença em nosso dia.

    O simpático guia falava oito línguas, extremamente culto e compartilhou detalhes sobre a cultura árabe. Começamos o nosso passeio pela famosa Mesquita Cutubia, um dos monumentos mais representativos de Marrakesh. Seu minarete é o modelo das mesquitas de Rabat (capital do Marrocos) e foi referência para a construção da Torre Giralda, em Sevilha. Como não é permitido a entrada de não muçulmanos, apenas passamos pelo monumento, seu jardim ao redor e seguimos para a segunda parada: Royal Mansour. O hotel é um exemplo da primorosa e detalhista construção marroquina. Luxuosa e aconchegante essa casa típica marroquina abriga suites de um, dois ou três quartos preciosamente decorados com ricos tapetes e tecidos, além de uma profusão de elegantes detalhes! As refeições são preparadas por mais de 100 chefs distribuidos entre quatro restaurantes: o La Grande Table Marocaine e o La Grande Table Française que ficam abertos para o jantar e servem respectivamente culinária típica marroquina e francesa, ambas revisitadas com toques contemporâneos trazidos pelo estrelado chef Yannick Alléno. Descobri durante o passeio que esse palácio foi construído a pedido do Rei Mohamad VI (atualmente no trono) para receber convidados da família real e, depois de um tempo, tornou-se um imponente hotel. 

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     Após o “tour pelo palácio” seguimos de charrete (um transporte bem comum no Marrocos) para a famosa praça Jemaa El-Fna, considerada a porte de entrada para os Souks. O lugar reúne muitos vendedores ambulantes, os hipnotizadores de cobras, muitas barracas de suco de laranja (também estranhei no começo) e alguns domadores de macacos. Logo na entrada o guia nos ofereceu também aquele “serviço pega turista” padrão, de te levar nas lojas e cooperativas de determinados produtos… recusamos todas, com exceção da cooperativa que produz óleo de Argan e uma fábrica de tapetes. O povo marroquino tem uma fama de bons negociantes e, de fato, não tem como negar. A cada loja que entravamos era reconhecido o atendimento  cordial e as peças, sem comentários! São de encher os olhos pela primorosa qualidade.

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    E até nos arriscamos a tentar ler o mapa e achar algumas coisas lá dentro – foi difícil, realmente a visita com o guia foi fundamental. Os souks são divididos por setores: peças em madeira, ferro fundido, especiarias, jóias, tapetes, entre outros. De fato, um verdadeiro mundo de cores, sabores e aromas! Falando em aromas, fizemos a nossa pausa para o almoço na própria Medina e foi uma das melhores refeições da viagem. O restaurante escolhido foi o Nomad, do mesmo dono do icônico Café Des Epices, com um ambiente mais descolado e pratos tipicamente marroquinos. Pedimos um cuscuz marroquino acompanhado por cordeiro e estava delicioso!

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    No período da tarde visitamos mais algumas lojas. O Souk Smarine, por exemplo, fica na artéria principal do mesmo nome – Rue Samarine, movimentada e coberta com varas de madeira para a proteção contra o sol, é caminho para os Souk el Attarine e Souk el Kebir.  Foi o primeiro que visitamos e onde encontramos de jóias, kaftans a babouches. Outra parada que valeu a pena foi a Galeria de Arte Khalid, uma casa com várias salas e muitas peças de antiguidade: portas berberes esculpidas a mão, urnas gigantescas de cerâmica e joias antigas. Uma loja com ar mais contemporâneo foi a Lalla com peças da personal shopper francesa Laetitia Trouillet que mistura tecidos marroquinos com um toque moderno e chique. Para quem gosta de bijuteria, a boa pedida é a loja Boutique Bel Hadj que fica bem no centro da Medina.

_DSC7875 _DSC7877 _DSC7879 _DSC7880 _DSC7883     Outras opções de restaurantes dentro da medina são: Le Tobsil, um pequena casa localizada ao lado do riad El Fenn e com uma excelente gastronomia marroquina; Maison Arabe restaurante localizado dentro do Riad que leva o mesmo nome e considerado um dos melhores em Marrakesh (aberto para almoço e jantar);  Le Jardin, lugar com um jardim maravilhoso e pratos bem tradicionais (aberto durante o almoço e jantar) e Café Clock com pratos mais americanizados e ambiente descolado. Não posso deixar de mencionar o Dar Yacout restaurantes que jantamos em nosso primeiro dia e considerado um dos mais refinados do Marrocos. Infelizmente a nossa experiência não foi muito agradável, achamos o ambiente muito opulento e comida sem gosto! Sem falar no valor final da conta, bem salgado!!

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    E aí, viajantes, gostaram do nosso primeiro dia em Marrakesh? No próximo post comento sobre o day tour ao Vale de Ourika.

PS. Bon Voyage!

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