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Safari na Africa – dicas para a sua viagem

   Quando comecei a planejar o meu roteiro da África, um dos pontos de maior ansiedade era o safari. Conhecer o cenário das savanas africanas sempre foi um desejo que cultivei desde minha infância e, por isso, pedia algo especial. Logo no início da pesquisa, me deparei com tantas possibilidades de roteiros e lugares variados que a ansiedade do começo virou uma grande dúvida. Abaixo compartilho com vocês todas as indecisões pré viagem e suas respectivas respostas ;)

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  • Qual reserva natural devo visitar?

   Um dos conselhos que mais recebi quando inicie minha pesquisa do safári foi “comece por um lugar mais tradicional, com bastante infraestrutura”. De fato, isso faz todo sentido em uma primeira viagem ao continente africano, principalmente pelo custo x benefício, no entanto após a minha visita afirmo “procure um lugar que você mais se identifique“. Muitas reservas oferecem uma ótima estrutura ao viajante, como lodges de luxo e acampamentos, o que diferencia é a diversidade das paisagens e animais. As reservas são classificadas como: a África Oriental, ou seja, Quênia e Tanzânia é o clássico dos safaris. As savanas são mais abertas, há abundantes fenômenos migratórios e a natureza é exuberante. No entanto, o acesso é bem mais demorado e complexo, a logística mais complicada e as reservas privadas são mais caras que as demais. O Serengeti National Park é um parque muito famoso devido a migração de zebras e gnus, evento que acontece principalmente no mês de junho e atrai milhares de turistas todos os anos. Outro atrativo do parque é por ser considerado uma das maiores reservas selvagens da África, principalmente pela possibilidade de fazer um safári em Ngorongoro Crater, a região com maior concentração de grandes mamíferos predadores em toda África. Ter a chance de estar ali, uma área tão preservada e longe de qualquer tipo de civilização, é sem dúvida a chance mais real de ter contato com a natureza, com a vida selvagem. No entanto, a África do Sul se destaca pela opulência, com lodges mais luxuosos e atividades variadas. O destino também possui um fácil acesso, através do aeroporto de Joanesburgo partem voos diárias (tem mais detalhes do roteiro aqui). Botswana também é muito procurado devido ao delta do Okavango, que permite incríveis safáris em barcos a remo. As reservas são muito sofisticadas, caras e muito adequadas para extensões de roteiros na África do Sul, para quem procura complementar a experiência de safári. Também estão em Botswana as reservas de Chobe e parte do Kalahari. Outra vantagem é sua posição geográfica, fronteira com a Námbia e ao lado da Victoria Falls (um dos cartões postais da África).

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  • Quanto tempo devo ficar na savana?

    Essa dúvida me acompanhou durante todo o planejamento da viagem. Depois de ficar três noites em Zanzibar (todos os detalhes aqui) definimos ficar o mesmo tempo na Savana. Após a minha experiência, considero demais por dois motivos: são dois “games” por dia, portanto quem passa três noites no lodge (hotel na selva) participa de seis “games”. Se considerar que é o mesmo território explorado, ou seja em uma reserva privada, o cenário começa a ficar muito parecido, por isso vale pensar em duas noites. Uma prática muito comum entre os viajantes é mudar de Lodge, para conhecer uma nova reserva privada. No nosso caso, ao lado do Lion Sands ficava o Londolozi (uma sugestão para o roteiro).

  • Qual a melhor época para fazer um safári?

    Na África do Sul, a melhor época para a observação é a estação da seca, no inverno (entre junho e agosto). Nessa época, o mato é baixo e as árvores não têm folhas, o que torna a observação mais fácil, pois a visão não fica obstruída pela vegetação. Além disso, há menos insetos. Neste período, praticamente não chove o que faz com que os animais se aglomerem nas nascentes dos rios pela manhã e no final da tarde. No inverno faz muito frio, principalmente pela manhã e à noite, quando as temperaturas podem chegar a 0ºC. No entanto, fui durante o verão (entre dezembro e fevereiro), e não pegamos temperaturas tão elevadas, média de (16º a 30º). Vale levar repelente, pois há mais mosquitos nessa época, mas em compensação é possível ver filhotes pequenos que nasceram na primavera. Em outros países esse período por ser diferente: na Tanzânia, a melhor época para visitar é entre os meses de Abril e Maio, pois como é período de migração, atrai milhares de animais. No Quênia, a época da seca, de Julho a Setembro, é a ideal para visitar a região. Nessa época, a vida se concentra ao redor de menos reservas de água pelo território e é mais fácil de ser detectada. As expedições ao Monte Quênia também são feitas nessa época. A grande migração de animais do Masai Mara (parque natural) para o Serengeti, na Tanzânia, acontece de Dezembro a Março. De Julho a Novembro, o sentido da migração é inverso, portanto esta época é perfeita para os safáris também. A estação de chuva é característica dos meses de março, abril e maio. 

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  • Como foi a experiência no Kruger Park?

   Por questão de logística e cronograma enxuto (leia-se poucos dias), acabamos escolhendo o Kruger Park, na África do Sul. O maior parque natural do continente é uma ótimo primeiro contato com savana e, de fato, seu cenário corresponde a todas as expectativas. O Lion Sands River foi o nossa base durante os três dias de safári e o ponto de partida para todos os “games”. Sim, quem opta em ficar nos lodges de luxo segue uma programação já definida pelo hotel. Digamos que o cronograma segue o ritmo de  acampamentos de férias (mais uma vez a sessão nostálgica) e nos “tempos livres” é possível desfrutar das atividades extras. Os horários são determinados e a área explorada corresponde a reserva privada do lodge.

_DSC4811 _DSC4683    Os “games drives” como são chamados os safáris são conduzidos por dois profissionais: ranger (guia e especialista em animais) e tracker ( pessoa que fica na frente do carro identificando as pegadas e passos dos animais). A grupo que acompanha os games é sempre o mesmo e definido no momento da chegada pelos funcionários do hotel. São dois “games” por dia, com duração de três horas cada. O primeiro começa logo pela manhã, às 06hs e outro no fim do dia, as 16hs, antes de anoitecer. Nos horários livres o grupo faz as refeições na área externa, sempre servida pelo mesmo “butler”, e participa de algumas atividades extras. O interessante é que no ato da reserva, o hotel encaminha uma pesquisa aos hóspedes com todos os itens servidos e os possíveis alimentos alérgicos. Com isso, só comemos o que realmente gostamos!

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_DSC5107 _DSC5269    As atividades extras vão desde uma caminhada a nascente do rio Sabe para observar uma família de hipopótamos a um passeio e balão (conhecido com safári aéreo), tudo pago. No entanto, a proatividade dos funcionários do hotel para organizar esses passeios extras foi o principal ponto desfavorável da minha estadia. Flexibilidade não é a palavra de ordem da equipe e parecia que o viajante estava lá para cumprir com a programação, não sair “fora da caixa”. Certamente esse fator não pode generalizar para todos os lodges, foi algo especifico no Lion Sands!

E aí, viajantes, malas prontas para a África? Dá uma olhada nos outros posts com dicas sobre o destino: Post 1Post 2, Post 3 e Post 4.

PS. Bon Voyage!

Dicas roteiro Africa

_DSC4986   Organizar um roteiro para a África pode parecer um “bicho de sete cabeças” no primeiro momento. Mesmo com tanta informação na internet, ainda não é possível encontrar muitos detalhes sobre os principais destinos, dicas de transportes, hotéis e quanto começa o planejamento para os safáris, aí complica de vez. São poucos horários de voos, aeroportos sem conexão, diversas opções de parques naturais, de fato muitas dúvidas surgem durante o processo. De uma maneira bem informal, vou compartilhar com vocês todos os detalhes da minha organização prévia e mostrar que é possível viajar para o continente de uma forma independente:

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    A companhia aérea South African é a única que oferece voos diários (direto) do Brasil para a África do Sul, operando em média dez frequências semanais entre o Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, e o Aeroporto Internacional O.R. Tambo, em Johanesburgo. O aeroporto é a porta de entrada do continente africano e, a partir de lá, inúmeras companhias locais conectam-se a outros países. Minha pesquisa de voos começou com três meses de antecedência, período que considero bom para encontrar promoções e preços mais competitivos. As passagens foram compradas pela internet através de agência online, no meu caso foi pelo site Expedia, e o valor final foi cerca de US$ 800, já com as taxas. O processo foi muito rápido, a única coisa ruim é que não foi possível escolher os assentos na hora da compra (somente um mês antes do voo).

    A segunda etapa do aéreo ficou para os pontos de conexão: Zanzibar e Kruger Park. A companhia aérea Mango Airlines (uma espécie de Gol africana) faz voos diretos de Johannesburgo todas as terças-feiras e sábados para a ilha da Tanzânia – Zanzibar. Essa é forma mais prática e barata de se chegar lá, já que são apenas três horas de voo e o valor final foi cerca de US$ 150,00 (por pessoa). Uma boa notícia aos que visitam o Kruger Park é que em Junho do ano passado foi inaugurado mais um aeroporto na savana: Skukuza airport. Com um ambiente bem rústico e atendimento ultra pessoal, o aeroporto é a maneira mais simples de chegar aos Games Lodges na parte sul do parque: Londolozi, Lion Sands, Kapama Game Reserve, antes apenas conectados pelo aeroporto de Nelspruit. O voo, com duração de quarenta minutos, é operado pela companhia aérea SA Air Link em um Embraer ERJ 135 (leia-se pequeno e muito veloz – separa o remédio de enjoo). 

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_DSC4602   A região sul corresponde a apenas um quinto do parque, mas é o coração Kruger Park. É chamada de “o circo”, pois possui muitos turistas, além de uma variedade de vida selvagem. É uma área de grande beleza, principalmente onde o os rios Sabie e Sand se cruzam. Nessa região esta o “camping” do Skukuza, uma alternativa para quem quer fazer safári por conta própria e não tem interesse em ficar hospedado nos lodges de luxo. O lugar cobra uma taxa de 180 rands por dia que permanecer no parque (chamada conservation fee), aproximadamente 22 dólares por pessoa. Para saber mais informações sobre essa hospedagem vale conferir o site oficial do parque

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    Um dos pontos mais complexos do roteiro foi a divisão de dias para cada destino. Devido aos horários dos voos era necessário pernoitar uma noite em Johannesburgo, sendo assim ficou três para Zanzibar e o mesmo para o safári no Kruger Park. Comentei no post do hotel em Zanzibar (AQUI) que os poucos lugares que encontrei informações, diziam para se hospedar ao norte da ilha. Contrariando as dicas, me hospedei na parte sul e foi uma experiência maravilhosa. No entanto, no Kruger Park esse ponto foi mais difícil pelas opções e os altos preços oferecidos. Os lodges costumam cobrar um valor fechado e o pacote inclui: hospedagem, três refeições por dia, bebida (inclui alcóolica), game (safari) manhã e tarde, além de algumas atividades extras. No Lion Sands, onde fiquei hospedada, o valor é em média R7,020.00 por pessoa (por dia) algo em torno de R$ 1.700,00 (sendo que esse valor pode variar). Portanto, uma dica é ficar apenas duas noites na savana por conseguir fazer quatro games e já é possível ver muitos animais! Um movimento muito comum entre os visitantes é conhecer outro lodge ou parque natural durante a viagem. Desta forma, a viagem não fica maçante e é possível explorar uma outra área. 

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    Todo contato com o Lion Sands foi feito por email. A Claudine (claudine@more.co.za) responsável do lodge me auxilio durante todo o processo e efetuo os pagamentos (via cartão de crédito). 

No proximo post, comento todos os detalhes da experiência na savana.

PS. Bon Voyage!

Onde se hospedar em Zanzibar?

_DSC3892   Quando se pensa em Zanzibar algo que vem em mente é o seu cenário deslumbrante: mar com água azul transparente, praias intocáveis, lugares paradisíacos e, com tantos atributos, um destino caro para se hospedar. Engano! A ilha está entre os lugares mais democráticos da Africa e não é a toa que é parada obrigatória dos mochileiros europeus. Seus preços são bem convidativos e não se assemelha em nada da vizinha badalada – Maldivas. Com um jeitão exótico, o destino tem tudo para promover uma viagem inesquecível ao viajante. No entanto, é de se esperar um lugar repleto de contrastes: o país ocupa a posição 152º do ranking de IDH (índice de desenvolvimento humano) da ONU, atrás de lugares como Bangladesh, Myanmar e Paquistão. Além de trombar com a pobreza, o hedonismo esbarra na questão cultural: 99% da população de Zanzibar é muçulmana e vive de acordo com uma conduta que não é compatível com biquíni, bebida e demonstrações de afeto em público. Com esse cenário, a dica é hospedar-se em um lugar com uma proposta sustentável, sem aquela opulência de hotéis grandiosos. Abaixo compartilho detalhes da minha experiência:

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                              Paje Beach

    Quando comecei a pesquisar sobre o roteiro, algo que mais encontrava nos sites era “hospede-se ao norte da ilha, com as praias mais bonitas“. De fato, isso é inquestionável, no entanto a maioria dos hotéis localizados nessa região possuem características de resorts e, na maioria das vezes, all inclusive. Na contramão do agito, ao sul da ilha, nos arredores de uma antiga vila de pescadores, está uma das praias mais pacatas do território – Paje Beach. A praia é referência em esportes aquáticos e mergulhos, em especial  scuba diving. Dentre as poucas opções de hotéis e pousadas na orla, está o recém inaugurado White Sands Luxury Villas (hotel acaba de ser eleito pela CNN um dos “23 hotéis incríveis inaugurados em 2014“). Por lá, a privacidade do casal é levado a sério. São apenas 22 vilas, distribuídas em um terreno enorme, e servida por um simpático grupo de funcionários. O quarto/ vila possui duas dependências, sendo que na primeira está uma pequena cozinha com sofás para descanso e a segunda um quarto espaçoso, com uma cama king centralizada e várias portas de madeira que levam a área de lazer. São dois banheiros, um interno e outro externo com banheira: só assim para se refrescar do forte calor. Os móveis são feitos de madeira rústica, em grande parte aproveitada de antigos barcos de pescadores – o resultado é lindo, estiloso e sustentável. O ponto alto da vila é a área da piscina, com uma temperatura ideal pós praia. 

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    O hotel propõe um luxo sem ostentação e não impõe regras ao viajante. A rotina é livre, sem obrigações e horários pré determinados. O café da manhã está  incluso no valor da  diária e possui um menu com uma variedade de pães, frutas e sucos. As outras refeições podem ser feitas no hotel (pago a parte) e o menu segue a proposta sustentável do hotel. Portanto, não espere pratos elaborados. O foco é nos ingredientes locais e você só tem a ganhar com isso: lagosta, caranguejo, frutas tropicais, peixes fresquinhos, pescados ali perto. Valor médio de 30 USD por pessoa.

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     O local ainda conta com um escola de preparo para os entusiastas de kitesurf. Um grupo simpático de holandeses faz as vezes de instrutor e com duas aulas é possível arriscar algumas manobras nas águas mornas do Indico. A prática do kitesurf depende exclusivamente das condições do vento e clima, por isso a escola fica fechada nos meses de Março a Maio quando é a época de chuvas em Zanzibar. 

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    Outro ponto alto do hotel é o atencioso serviço do concierge. Seguindo o lema principal da ilha “Hakuna Matata” a representante passa para os hóspedes os highlights e furadas da ilha. Bom o texto ficou grande demais e esse assunto vai ficar para o próximo post! 

PS. No post anterior {aqui} comento sobre outras opções de hospedagem na ilha. 

PS. Bon Voyage!